" O grande homem é o homem livre" - Kung-Fu-Tse (Confúcio - 孔夫子)
A liberdade de imprensa é talvez a liberdade que mais tem sofrido pela degradação da idéia da liberdade.
Albert Camus

"Atrás da anonímia se alaparda a covardia, se agacha o enredo, se ancora a mentira, se acaçapa a subserviência, se arrasta a venalidade."
Rui Barbosa

Meus textos

segunda-feira, 26 de março de 2012




Les sept merveilles
Nevo

Je suis le monde, beau e infini
Avec sept merveilleux monuments
Le premier, imposant, est defini
Comme la reine des magique moments

Êtes vous, ma fleur d’automne
Les jardins de ma printemps
Comme celles-la de la Babylone
La merveille de tous les temps

Tu, ma belle troisième felicité,
Etoile née dans la «Bouche du Mont»,
Ma petite poivre, forteresse, santé!
Permettez Zeus, fantaisie de conte!

Conte de la extreme doceur
Dans le Temple d'Artémis à Ephèse
Rationalité, sensibilité et caractère
Quatrième magique mervilleuse.

L’autre génération est bien-venu
La quatrième c’est lá première
Petit fille par l’amour encontenu
Dans les tous peut être la meilleure

Autremant comme Mausolée d'Halicarnasse
Ne peut pas dire Colosse de Rhodes est meilleur
Cadeau d’Isis avec sa tendreté et delicatesse
Fond mon coeur avec son couleur.

Mais, le Phare d’Alexandríe: la semence!
Eclaire l’horizont de deux grands-parents,
Aient en son periode de la vie errance
La bonheur de recommencer avec l'enfance.

domingo, 25 de março de 2012

Abjuro!

Nevo

 

Do ser político não sou cultor,

Nem quero fama ou popularidade!

Bem antes prefiro oceano de amor

Afogando-me na afetividade.

 

As vagas se impiedosas açoitassem,

Lânguidas bebendo-me na alma,

Tão tenro o cárdio talvez ficasse,

Que toda a tempestade acalma.

 

Quero viver na e com a natureza,

Usufruindo de toda sua liberdade,

Sujeito apenas à sua beleza,

Sem dependência de outra vontade.

 

Meus mestres são os próprios erros,

Dos quais o peso do fardo se avulta...

Já me dói ver seres nos desterros

Da carência do que me resulta.



Ma Reine
Nevo

Resplandeciente la lune s'élève de la mer;
Dans le paradoxe naturel de l'âme vibrante
Comme songe apporte fraîcheur et chaleur,
Avec notre cœur de l'amour éblouissante.

Argentée muse mystérieuse des nous amoureux,
Fait ressortir de l'obscurité de la nuit fascinante,
De transports à l'extase des êtres en symbiose,
Rayons de lumière de caractère avant hésitante.

L'esprit est rempli de confiance et d'inspiration,
Pour consacrer sa histoire à la vie qui l’appel.
Décidée, il faut confier, l'Univers est chez lui;
Autrement, paix et amour, societé fraternelle.

Reine bien-aimée, réflecteur fidèle de l'Astre-Roi,
Serve la penchant à conduire l’homme à l’aventure
Comme un instrument divin pour d’être reconnue
L'étoile principale dans les spectacles de la nature.

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Smiley piscando Eis aqui uma mensagem que deveria circular sempre pela internet! De preferência todos os dias, para nos lembrarmos a todo momento de que nossos pensamentos devem ser vigiados. 

Já ouvimos falar disso, não?! 
(do amigo Adão Flávio Paz Pereira - Canoas-RS)
O Centésimo Macaco
Nota: Para pesquisar o assunto, consulte a obra do biólogo inglês Rupert Sheldrake sobre campos morfogenéticos

O macaco japonês Macaca Fuscata vinha sendo observado há mais de trinta anos em estado natural.
Em 1952, os cientistas jogaram batatas-doces cruas nas praias da ilha de Kochima para os macacos.
Eles apreciaram o sabor das batatas-doces, mas acharam desagradável o da areia.
Uma fêmea de um ano e meio, chamada Imo, descobriu que lavar as batatas num rio próximo resolvia o problema. E ensinou o truque à sua mãe.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Plano de Vida


Néventon Vargas*

Acredito firmemente que o planejamento em tudo o que fazemos é um precioso instrumento para que as ações sejam mais eficazes e possamos colher os resultados com satisfação redobrada, em face à constatação de que nosso trabalho foi coroado de êxito conforme estava previsto. Entretanto, nem sempre o cuidadoso detalhamento prévio garante a materialização do que estava planejado.
Eu estava em frente ao computador, preocupado em colocar em ordem a correspondência, pensando no tema do texto que deveria preparar (inicialmente tinha pensado em escrever sobre “dogma”), enquanto trocava idéias pela internet com um amigo sobre nossas atividades futuras, amanhã, semana que vem, próximo ano,... Toca o telefone, eu atendo, converso alguns instantes com uma pessoa e logo tudo mudou com as informações recebidas... – Que não foram sobre doença ou morte!
Desculpei-me e me despedi do amigo com quem conversava... Meu foco já era outro. Não fazia mais sentido preocupar-me com os acontecimentos futuros. Então, após uns momentos de reflexão, como num flash, encontrei um tema novo para escrever: preparação para a morte. Isso mesmo: preparação para a morte! Qual o problema? Nós todos estamos preparados? Qual a conexão com o que foi relatado? — Nenhuma! Exceto pela necessidade de mudança de planos. Qualquer ocorrência da nossa vida, inclusive a morte, pode alterar completamente nossa linha de ação.
Eu sei que muitos não gostam de falar sobre o assunto e, se for espírita então, logo tem a resposta: “— A morte não existe!”. Esta é uma questão que dificilmente decidimos encarar, sem meias palavras, sem subterfúgios e sem bater na madeira, num gesto tradicional e supersticioso de quem quer afastar de si ou dos entes amados algo que é inexorável.
Tentemos imaginar que temos todo um plano de vida, traçado a longo prazo, e de repente nos vemos surpreendidos por um episódio que nos obriga a mudar totalmente nossas diretrizes, pois tudo o que estava antes previsto passou a ser irrelevante diante da nova situação. Apesar de um evento certo, não foi considerado porque o instante não estava determinado. Precisamos reavaliar a nova realidade e redirecionar nossas ações e objetivos.
Assim é a morte. Semelhante a um fato previsível cujo momento do seu acontecimento não pode ser determinado, ela pode aparecer de repente, nos tirando do tempo e espaço em que habitávamos até então, obrigando-nos a alterar totalmente nossas concepções em relação ao ambiente circundante e às personalidades que nos rodeiam.
Certo. O planejamento não garante o resultado! Mas ele dá o conhecimento de causa que habilita ao redirecionamento conforme as circunstâncias. Sem ele, faltará a segurança, a presença de espírito, o bom senso, o desprendimento e a autoridade para tomar decisões rápidas e conscientes, traçando novas diretrizes. Nunca seremos pegos de surpresa e sempre teremos uma alternativa viável que, embora não tenha sido pensada, estava armazenada no subconsciente, resultado do labor sério e responsável.
Por tal princípio, quando a morte chegar estaremos preparados para ver a nossa vida por outro ângulo, dialogando com nossos pares, familiarizando-se com o novo ambiente, refazendo projetos conforme com a realidade que se apresenta.
Entretanto, precisamos ter em mente que sem podermos determinar o momento fatídico devemos também estar preparados para ainda permanecermos muito tempo encarnados, com todas as injunções inerentes ao fardo que carregamos e o seu desgaste natural pelo envelhecimento. Isto significa dizer que devemos nos preparar para a VIDA.
Ora, se eu planejar minha vida e souber que ela continua mesmo após o perecimento do corpo, não há com o que me preocupar. Estarei onde eu quis estar, junto de quem eu queria, fazendo aquilo que eu planejei, dando seqüência aos meus esforços terrenos e, talvez, em condições bem melhores. Tudo resultado de planejamentos e ações anteriores.
Então pergunto:
— Devemos nos preparar para a morte?
— Não. A morte não existe!
* Néventon Vargas é Engenheiro Civil; membro da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa – assepe@assepe.org. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Liberdade

Néventon Vargas*
Ao receber esta foto pela internet me pareceu ajustar-se perfeitamente ao entendimento de "livre pensar" por mim proposto no texto a seguir, ao dizer que o indivíduo "...pode se impor clausura mental e se recusar ao uso do raciocínio, preferindo aceitar sem reflexão as idéias prontas e acabadas, como se o universo do pensamento não fosse dinâmico." Neste enfoque o indivíduo se equipararia ao animal da foto, "preso" à cadeira, com a diferença que este é irracional por natureza e aquele o é por opção.
Liberdade para ir e vir, para realizar, para protestar, para divulgar, para pensar... São condições que todo o ser humano almeja para si, mas nem todas são acessíveis a todos. A única que ninguém pode nos impor limites é a liberdade de pensar. Portanto, numa primeira avaliação, quando se fala em livre pensar, conforme tem aparecido em algumas análises, se comete uma redundância porque todo o pensamento forçosamente seria livre. Entretanto, se formos mais a fundo na questão podemos descobrir que a liberdade de pensar não é tão absoluta, assim como as outras formas de liberdade nem sempre têm seu cerceamento imposto por terceiros.
Cabe uma reflexão em torno do auto-aprisionamento em que indivíduos se impõem uma reclusão. Aqui podemos nos referir apenas àqueles que optam por uma vida de total clausura por escolha livre e consciente ou aos que não vêem outra alternativa para sua proteção, defendendo a sua integridade física por ter desenvolvido fobias das mais diversas que não estão em análise no momento.
Quando se fala em pensamento também podemos cogitar que o cerceamento da liberdade não pode ser imposta por terceiros e que, portanto, todos seríamos livre-pensadores. Mas se por um lado ninguém pode ter o domínio absoluto sobre o pensamento de terceiro, por outro, cada indivíduo, sendo senhor de si para pensar, pode se impor clausura mental e se recusar ao uso do raciocínio, preferindo aceitar sem reflexão as idéias prontas e acabadas, como se o universo do pensamento não fosse dinâmico.
Livre pensar não é apenas pensar. Livre pensar é pensar com isenção, sem os condicionamentos impostos pelo tradicional ou por qualquer tipo de dogma. O livre-pensador desenvolve o seu próprio raciocínio, calcado na própria capacidade intelectual e, portanto, deve ter consciência das suas limitações, como também de que o saber é progressivo, sendo natural apoiar-se nas mais diversas fontes, mas nunca tê-las como infalíveis.
O livre-pensador é intelectualmente honesto e não se recusa a analisar uma idéia por mais estranha que lhe possa parecer. Não admite como verdadeiras teses propostas apenas pelo fato de provirem das mais famosas fontes nem tê-las como falsas apenas por terem origem desconhecida.
O livre-pensador pode se dobrar às decisões unânimes, mas nunca se deixará convencer apenas pela unanimidade.
Enfim, todos somos reféns do sincretismo filosófico, religioso ou científico, como resultado de um processo dialético interminável, mas o livre-pensador rompe paradigmas, buscando sempre alternativas possíveis que o levem a novos caminhos com horizontes cada vez mais distantes.
O livre-pensador espírita tem em Allan Kardec uma referência significativa, uma mente brilhante e de bom senso incontestável, mas sem considerá-lo infalível. As anotações d’O Livro dos Espíritos sempre são consideradas com o peso exato de um livro escrito num contexto próprio para o seu tempo e passíveis de revisão conforme os avanços do pensamento humano. As intervenções dos espíritos são respeitáveis, mas tão consideradas quanto as opiniões dos maiores pensadores encarnados.
* Néventon Vargas é Secretário e ex-presidente da ASSEPE - Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas; Delegado da CEPA - Confederação Espírita Pan-Americana em João Pessoa - PB. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Comentário sobre o Aborto

Comentário sobre o Aborto

Néventon Vargas

Apesar de ser radicalmente favorável à vida, penso que na opinião do Sr. Gerson Monteiro (http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/gerson-monteiro/) existe uma omissão: O Espiritismo não "condena" e, portanto, todos temos a liberdade da escolha. Mesmo o aborto é considerado na seguinte questão de O Livro dos Espíritos:

359. Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

"Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe."

O pensamento cristalizado das religiões impede que se veja além, hipervalorizando a vida na matéria. Os Espíritos que responderam a Kardec não são tão pragmáticos. Vejam alguns exemplos em O Livro dos Espíritos:

346. Que faz o Espírito, se o corpo que ele escolheu morre antes de se verificar o nascimento?

"Escolhe outro."

a) -Qual a utilidade dessas mortes prematuras?

"Dão-lhes causa, as mais das vezes, as imperfeições da matéria."

...

351. No intervalo que medeia da concepção ao nascimento, goza o Espírito de todas as suas faculdades?

"Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o Espírito tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento, Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição, de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito."

...

358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

"Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando."

...

360. Será racional ter-se para com um feto as mesmas atenções que se dispensam ao corpo de uma criança que viveu algum tempo?

"Vede em tudo isso a vontade e a obra de Deus. Não trateis, pois, desatenciosamente, coisas que deveis respeitar. Por que não respeitar as obras da criação, algumas vezes incompletas por vontade do Criador? Tudo ocorre segundo os seus desígnios e ninguém é chamado para ser juiz."

...

Concluindo, o argumento de que "abortistas" defendem quem "matar seres indefesos" é simplista e não reflete a opinião geral.

"Legalização do aborto" é diferente de "descriminalização do aborto". A pura e simples "descriminalização" não legaliza nada; apenas retira da lei onde está escrito que "constitui crime". A pura e simples "legalização" - do tipo "É lícito qualquer indivíduo provocar aborto" - é impensável.

A questão da saúde pública é muito simples: os dados estatísticos colhidos se referem à morte de mulheres, oriunda de abortos em condições adversas. O número de abortos clandestinos é uma estimativa estatística baseada em pesquisas cujos métodos são amplamente estudados, debatidos e aperfeiçoados constantemente nas ciências exatas para uso das inexatas, uma vez que são imprescindíveis em diversas áreas do conhecimento.

Dogmas nunca deveriam comandar as sociedades!

Geralmente quando se colocam uns contra outros, como neste caso de abortistas contra não-abortistas, os resultados são insatisfatórios porque acabam esquecendo o fundamento principal da discussão, que, em síntese, é o aperfeiçoamento das instituições para melhorar as condições de vida do ser humano. Uns e outros acabam perdendo-se em discussões estéreis em detrimento das energias criadoras que impulsionam o progresso.

Seria insano defender a morte de qualquer ser vivo, mas quem mata tem direito à defesa.

A serpente que engoliu um indefeso passarinho está plenamente justificada! Meu veredito é: INOCENTE!

O homem mentalmente sadio e consciente que retirou da natureza um passarinho implume, provocando-lhe a morte, não se justifica! Meu veredito é: CULPADO!

Minha "verdade", entretanto, é parcial e meu direito de culpar ou inocentar alguém é extremamente subjetivo porque calcado em princípios e concepções próprias inaceitáveis como parâmetros definitivos para quaisquer correntes filosóficas atuais, uma vez que todas as verdades seriam transitórias e reformáveis no tempo e no espaço, conformando-se ao contexto.

Por tais razões que a utilidade da religião está exclusivamente nos seus aspectos morais, de foro íntimo, sendo incompatível com a liberdade de pensamento, expressão e ação, especialmente no que se refere à dinâmica social.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Brilha Uma Estrela na Boca do Monte

Cada estrela tem fulguração própria e exala as energias bem características da sua constituição. Assim são também os homens. Assim são também as mulheres.
Não tenho dúvidas que Balzac conhecia suas personagens e me parece justo concluir que aos trinta anos as mulheres atingem a plenitude da sua beleza, no mais amplo significado da virtude, por se encontrar repleta de energias vitais e de maturidade. Penso, entretanto, que cada faixa etária traz peculiaridades psicobiológicas que marcam a vida de qualquer um e a qualquer momento podemos nos surpreender absolutamente dominados pelos mais profundos sentimentos de amor. Foi assim que me senti aos trinta anos.
Apaixonei-me imediatamente no primeiro instante em que a vi, franzindo o cenho e contraindo o nariz em reação natural de desconforto pela esfregadela da enorme mão do médico que, simultaneamente, dizia: “Ela é tão bonitinha!”.
Dr. Manfred, jovem médico obstetra, chegara a pouco, célere, na sua motocicleta, ainda mastigando o churrasco de ano novo, que fora interrompido pela chamada para dar luz à nova estrela que brilhava no meu universo, na Santa Maria da Boca do Monte.
Ela não foi meu primeiro nem único amor, mas ela é única. Demonstrou isso desde os primeiros passos... Ou melhor, desde antes dos primeiros passos, com surpreendentes soluções para atingir objetivos com determinação.
Cada fase da sua vida, como na da todos nós, insere brilhos diferentes, cada um com sua beleza e a cada evento na cronologia da vida novo elo foi agregado para fortalecer os verdadeiros laços de união.
A impressionante justiça e sabedoria das leis da natureza se confirmam constantemente ao nos proporcionar o afrouxamento dos laços físicos e biológicos para dar sequência sem traumas da evolução dos seres para que cada um conquiste sua liberdade e total autonomia sem as injunções materiais que escravizam e podem nos manter sob dependência indefinidamente.
Os laços espirituais se fortalecem, mas não evitam que a desvinculação material nos faça sentir poderosa mão invisível a comprimir nosso coração, tentando arrancá-lo pela boca, parando na garganta com o pranto contido. Não fosse a certeza de que os benefícios dos remédios amargos são muito mais compensadores, certamente sucumbiríamos diante do problema insolúvel da divisão do indivisível.
Sexagenário, ainda forte, possuo um coração amolecido pelo trabalho ininterrupto de seis décadas, mas com espaço suficiente para muitos amores, cada um ocupando lugar de destaque, inalienável, intransferível e indevassável. Mas tenho uma dívida de gratidão com essa estrela capricorniana que hoje adquire brilho especial e assume posição definitiva no meu universo, pois, afinal, foi protagonista de imerecidas alegrias na minha segunda metade de vida.
Meu testemunho de amor visa principalmente abrir o peito ao mundo, mostrando as entranhas iluminadas por uma constelação de seis estrelas tão fulgurantes quanto possível para meu limitado universo, imersas no infinito do amor por seis mulheres, tão intenso quanto o próprio amor universal.
Vida eterna, minha filha! Amor é terno!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A laicidade como princípio fundamental da liberdade espiritual e da igualdade

por
Henri Peña-Ruiz(*)

Alguns homens crêem em Deus. Outros não. A liberdade pressupõe o caráter facultativo da religião ou do ateísmo. Por isso se usará aqui o termo genérico «opção espiritual», que não favorece nem uma nem a outra versão da espiritualidade. A igualdade pressupõe a neutralidade confessional do Estado e das instituições públicas, para que todos, crentes e não crentes, possam ser tratados sem privilégio nem estigmatização. Assim se alcança a maior justiça no tratamento das diversas opções espirituais. A separação do Estado e de qualquer igreja não significa luta contra a religião, mas sim, simplesmente, vocação para a universalidade, e ao que é comum a todos os homens para lá das suas diferenças. As diferenças não são negadas, mas podem sim viver-se e assumir-se livremente na esfera privada, quer se expresse a nível individual ou a nível coletivo (a confusão entre dimensão coletiva e caráter juridicamente público é um sofisma, pois confunde o que é comum a certos homens e o que é de todos).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Encanto

Nevo

 

Encanta-se com seus cabelos, que lhe vão à cintura;

Com seu sorriso maroto e gracioso jeito de andar;

Ao falar, lhe vê na boca, fascínio expresso em candura,

Mas o que de fato lhe enfeitiça é o brilho do seu olhar!

 

Duas estrelas brilhantes de apenas uma alma do mundo,

Dupla única no seu céu, ilumina e nutre seu universo,

Impondo-lhe refletir sobre o infinito e filosofar taciturno:

Quem és? De onde vens trazer sonho em prosa e verso? 

 

Quem és, afinal? Que mistérios se escondem no passado?

Qual será a origem deste elo indestrutível e indissociável,

A mantê-lo sob controle, passivo, feliz, mas escravizado,

Em conflito com seu ego libertário, paradoxo inconciliável!

 

O amor preenche-lhe todos os vazios da alma,

Mas aflições lhe impõem causas para dor buscar

E a razão lhe diz, sincera, contundente e calma:

Extirpado o egoísmo, o amor tomará o lugar!

domingo, 9 de maio de 2010

Severina


Morta viva Severina,

Pés descalços, roupa suja,

Busca água lá na gruta.

Pensa em nada;

Não tem futuro!

Pelos filhos, na labuta!

Semblante marcado,

Mãos calejadas,

De tanto labor e luta.

Renuncia à própria vida

Sem pensar em conseqüências.

Seu móvel é o cotidiano,

Cuidando da sobrevivência

Sabe que de si depende

Toda a prole em dependência.


sábado, 9 de maio de 2009

Nada Errado


Néventon Vargas*
A dinâmica universal indiscutivelmente nos leva a conceber uma evolução permanente uma vez que nada existe que seja estático, embora o ser humano encarnado tenda a ver estagnação ou até regressão em função de análise parcial e com parâmetros extremamente limitados a uma visão de mundo que abrange apenas a sua realidade física atual. São, entretanto, apenas duas faces de uma mesma problemática, identificadas com as idéias de quem analisa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Malhação de Judas

Néventon Vargas*



Nunca consegui aceitar passivamente a manifestação popular da malhação de Judas. Considero-a uma prática bárbara que lembra as atitudes apaixonadas, características de um período negro da história da humanidade que todos gostaríamos de esquecer, quando os estados teocráticos vigeram soberanos, no decorrer da Idade Média.

segunda-feira, 30 de março de 2009

UNIÃO E UNIFICAÇÃO

(Mensagem enviada por Milton Medran)
Amigos da ASSEPE e companheiros da CEPA:
Esse episódio da retirada a que se viram forçados esses jovens de João Pessoa, da Federação Estadual, permite que se faça, aqui, neste espaço livre de debates, alguma reflexão sobre a questão da UNIÃO e da UNIFICAÇÃO no movimento espírita. Por isso, permiti-me alterar o título do "assunto" ali acima exposto, para este novo.
Já disse, em alguns artigos que escrevi, que considero o chamado processo de UNIFICAÇÃO, tal como implementado a partir da política hegemônica da Federação Espírita Brasileira (e estendida ao movimento mundial através de seu braço internacional, o CEI) altamente prejudicial aos ideais de UNIÃO dos espíritas. Esta, segundo propunha Kardec, deveria se dar de forma horizontal, a partir dos princípios gerais que todos aceitamos, e, jamais, a partir da interpretação de um grupo ou, mesmo, de um país cujo movimento quisesse impor suas interpretações particulares e seu modelo de administração para os demais.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DO MÉTODO

Néventon Vargas*

No capítulo terceiro d’O Livro dos Médiuns Kardec não aborda, como à primeira vista pode parecer, o método de pesquisa que deu origem à formulação dos princípios doutrinários, mas sim o método de ensino do Espiritismo. Nele, enfatiza que “... é por experiência que dizemos consistir o melhor método de ensino espírita em se dirigir, aquele que ensina, antes à razão do que aos olhos”.
Isto me leva a refletir sobre outros aspectos que têm afligido coordenadores de grupos mediúnicos no que se refere às evocações.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

ELE

Nevo

Ele tem muitas faces.
Não. Não é um caso de personalidades múltiplas. Trata-se apenas de vê-lo sob diversos ângulos: o filho, o irmão, o homem, o marido, o pai, o profissional, o cidadão. Posso vê-lo também como estudante, político, filósofo; espírito, amigo, mentor. Hoje, avô e bisavô.
Ele nasceu anônimo, na periferia de uma pequena cidade. Anônimo para a sociedade, tal como tem vivido os últimos oitenta anos. Anônimo por ser humilde e modesto, nunca por insignificância, por inteligência medíocre ou por ausência de virtudes. Mas teve o privilégio de ser o querido primogênito de um casal que se amava e respeitava, obedecendo a princípios absorvidos com as múltiplas experiências e pela dedicação ao estudo a ao trabalho incansável no meio espírita quando ainda eram comuns a discriminação e o preconceito com “a doutrina do demônio”.
Ele sempre foi um rebelde e radical. Não que tivesse desvios de comportamento ou moral duvidosa ou ainda que pudesse ser considerado mau-caráter. Simplesmente se caracterizava por uma inconformidade em aceitar passivamente o tradicional sem um exame apurado e o uso imprescindível da razão.
Na infância, não deu sossego aos mestres, numa época em que a educação era monopolizada pela religião, com a força do seu poder e pensamento tradicionalmente dogmático. Não se admitia lançar a dúvida quanto às verdades tidas como inquestionáveis. Adulto, não se conformava com a ordem vigente, colocando em risco a segurança própria e de sua família na defesa de seus ideais.
Ele nunca foi religioso no entendimento mais usual. Nunca foi afeito às atitudes piegas de contrição, de devoção, de idolatria, de superstição.
Ele é uma pessoa bem humorada e que sempre tem uma saída inteligente para as situações mais simples como para as mais delicadas.
Ele é espírita e foi minha referência desde as primeiras investidas para a busca desse conhecimento. Ele esteve presente em todos os movimentos do Espiritismo e acompanhou a sua evolução na cidade em que nasceu e vive até o presente.
Hoje, quando me olho o vejo num outro tempo, com oportunidades diferentes, com outras experiências e num contexto diverso, como se fosse ele vivendo a minha vida. Imagino que se eu tivesse vivido no seu tempo, vivenciando todos os episódios de sua vida, seria exatamente como ele foi quando teve minha idade.
Durante nossas caminhadas matinais observo o seu passo forte e decidido, mas já vacilante em função de um organismo físico debilitado pelo tempo e incapaz de refletir a jovialidade espiritual e a agilidade de pensamentos. Então eu o olho e me vejo no futuro, se tiver, como ele, a felicidade (ou não!?) de chegar até lá.
Mas, pensando bem, a sua presença, o seu pensamento, a sua postura, sempre me infundiram confiança e segurança. Lembro-me que na infância, em momentos de aflição e medo, quando os pesadelos me inquietavam, quando me aterrorizava o desconhecido, quando a escuridão me dava pavor, o primeiro grito que me saia da garganta era: PAAAI!


domingo, 3 de agosto de 2008

PLANO DE VIDA

Acredito firmemente que o planejamento em tudo o que fazemos é um precioso instrumento para que as ações sejam mais eficazes e possamos colher os resultados com satisfação redobrada, em face à constatação de que nosso trabalho foi coroado de êxito conforme estava previsto. Entretanto, nem sempre o cuidadoso detalhamento prévio garante a materialização do que estava planejado.

Auto-Estima e Cidadania

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Quando comecei a ler o livro “A Dança do Universo”, de Marcelo Gleiser, a primeira idéia que me ocorreu foi que nós, brasileiros, temos a triste mania de valorizar o que vem de fora, ignorando os enormes valores que possuímos. O físico brasileiro é conhecido e reconhecido internacionalmente, lecionando e fazendo palestras. Possui um estilo de agradável leitura e linguagem acessível a qualquer leitor, mesmo que não detenha conhecimentos de Física, colocando ao alcance de qualquer pessoa o entendimento resumido da evolução filosófica e científica no que se refere à criação e o funcionamento do universo. É um instrumento importante para melhor nos conhecermos e compreendermos do mundo em que vivemos.
A auto-estima danificada do brasileiro compromete a percepção do verdadeiro fascínio que nosso chão e nossa gente exercem sobre os estrangeiros.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Arbítrio

Névo

Penso.
Reflito.
Observo.
Pondero.

Escrevo?
Não escrevo?

Sofro.
Amo.
Orgulho-me.
Vivo.
Ajo.
Cresço.
Aprendo.
Não ajo.
Tapeio.
Estaciono.

Decido.
Erro.

Decido.
Recrio.
Acerto.
Cresço.
Obedeço.
Nasço.

Penso,
Reflito,
Observo.
Pondero.
Refaço...
Instruído,
Abjugo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Eterno Infinito

Névo

Penso no tempo,
Não concebo término.
O tempo zero é agora.
Infinito para o passado,
Infinito para o futuro.
Olho em volta,
Não vejo fim.
Eu sou o centro.
Eu sou único.
Ninguém está onde estou,
Ninguém é como eu.
Estou no meio do mundo.
Estou a meio caminho.
Ou, talvez, mal tenha começado.
Se eterno sou,
Não fui criado.
Se criado fui,
Acabei de nascer.
Sendo eterno,
Não tenho começo...
Nem fim!
Nascimento e morte
Estão eqüidistantes de mim.
Sendo infinito, nasci.
Mas não morrerei!
Se não tinha consciência,
Com ela vivi.
Nasci agora...
Meu futuro é infinito!
O meu presente é futuro.
Meu futuro é presente.

Consolador, sim — Prometido, talvez

Uma questão que me intriga e que se repete em minha mente constantemente é a decisão de Allan Kardec, nosso insigne mestre de Lion, ter identificado no Espiritismo a promessa feita por Jesus há dois mil anos.
Consultando o Houaiss verifiquei que o sentido da palavra “consolador”, abstendo-se, evidentemente, das conotações figuradas e religiosas, cabe perfeitamente para o Espiritismo.